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Aprenda a definir quando a previdência é a escolha certa

28 de novembro 2022 Paulo Araripe Jr.

Investimento vale no longo prazo, com aplicações de, no mínimo, dez anos

O mercado de previdência privada no Brasil está mais diversificado, com produtos e estratégias para diferentes níveis de risco e soluções customizadas para atender o objetivo e o perfil do investidor.

Números da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) mostram um setor aquecido. No terceiro trimestre, os planos somavam R$41,7 bilhões, uma alta de 18,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os indicadores podem ser otimistas, mas isso não significa que a previdência privada seja o investimento mais indicado para todos os casos, dizem especialistas.

Walter Mendes, presidente da Vivest, diz que a consciência sobre a importância de garantir um complemento à aposentadoria oficial ainda não é generalizada no país, devido à carência de educação financeira e à instabilidade econômica.

“O trabalhador só costuma pensar na aposentadoria quando está próxima, quando na realidade a poupança previdenciária é algo a ser construído ao longo do tempo.”

Preocupada em ensinar os filhos e os netos sobre a importância desse planejamento, a pesquisadora e doutora em educação financeira Rosa Vilches, 61 anos, decidiu dar o exemplo. Ela investe em três planos de previdência privada, modalidade que escolheu por sentir mais segurança.

Das três apólices, uma foi contratada para ela mesma, que sonha em realizar uma festa de aniversário quando completar 100 anos. As outras duas são para os netos, ambos com três anos de idade.

”Além de garantir uma melhor estrutura para quando eles forem adultos, o objetivo é ensiná-los a pensar no futuro. Por isso, preciso dar exemplo. Só posso educar se mostro isso com minhas atitudes.”

Saber o que fazer quando o recurso for resgatado é importante antes de aderir a um plano de previdência privada.

Segundo Viriato, um trabalhador que começar a aplicar mensalmente R$ 4.000 em um plano VGBL (indicado, no geral, para contribuintes que fazem a declaração simplificada do IR) de renda fixa a partir dos 40 anos conseguirá se aposentar aos 65 anos com um extra de R$ 10 mil por mês.

“Para o caso do investimento na aposentadoria com prazo de acumulação de 25 anos, a vantagem da previdência é grande. Há uma economia de Imposto de Renda e há o ganho pela ausência de cotas [antecipação semestral do IR sobre rendimento de fundos de renda fixa, multimercados e cambiais].”

Para um investimento de longo prazo, o retomo é maior para um plano VGBL de renda fixa, que rende IPCA mais 6% ao ano, do que um fundo com o mesmo tipo de retorno.

“Assumi que o IPCA mais 6% ao ano equivale a um retorno esperado de 12% ao ano. Pou pando RS 4.000 por mês em VGBL com esta rentabilidade, o investidor terá o necessário para se aposentar com R$ 10 mil a valores de hoje.”

Se o objetivo é poupar dinheiro para pagar a faculdade dos filhos, a previdência talvez não seja a melhor opção, afirma Cintia Senna, educadora financeira da DSOP Novamente, é preciso considerar o quesito ‘tempo’ para avaliar se é um bom negócio.

Considere o caso de pais que desejam fazer um investimento para pagar seis anos de faculdade do filho, ao preço estimado de R$ 7.000 por mês.

Em uma simulação, para conseguir pagar essa mensalidade seria necessário acumular uma quantia próxima de R$ 504 mil, desconsiderando a in fiação do período e o IR.

Para obter essa quantia, seria preciso fazer uma aplicação mensal de R$ 820,23 período de 18 anos, considerando um rendimento de 0,85% ao mês, estimativa feita com base nas taxas praticadas hoje no mercado.

Segundo a educadora financeira, devido ao impacto do IR que seria cobrado sobre o valor total aplicado, mais a taxa de administração, outros tipos de aplicação seriam mais indicados para esse objetivo.

Dentre as sugestões estão fundos de investimentos de renda fixa, CDBs, Tesouro Direto (Tesouro IPCA), LCI e LCA, entre outros.

A previdência privada é indicada para quem faz o planejamento sucessório de bens. Nesse caso, o plano mais indicado seria o VGBL, no qual o IR incidirá apenas sobre o montante que render, e não sobre todo o valor investido.

A DSOP fez uma simulação com um homem de 70 anos que planeja deixar parte da herança aos netos. Considerando que ele tenha patrimônio de R$ 5 milhões e deixe esse valor aplicado por um ano -utilizando a tabela progressiva- teria uma alíquota de27,5% sobre o que rendeu.

Nesse caso, a base é o valor que rendeu para cada netos e forem mais de dez, a alíquota pode cair para 22,5%. Já se fosse considerada a tabela regressiva, seria de 35%. Além da questão fiscal, o plano de previdência é interessante: o valor não passa por inventário.

Outra vantagem é que os avós conseguem definir o percentual que cada neto poderá receber. Ou seja, serve como se fosse o testamento.

No caso de um estudante de 18 anos que sonha em realizar uma viagem sabática quando chegar aos 35, a previdência privada também não se mostra a opção mais interessante.

Se o objetivo é acumular R$ 100 mil para passar 12 meses viajando (considerando um gasto médio de US$ 50 por dia), ele precisaria investir mensalmente R$ 227,20 durante os 17 anos (204 meses), considerando um rendimento de 0,85% ao mês.

No final, o investidor teria acumulado R$ 123.542,20. No momento do resgate, terá um imposto de R$ 23.541,79 na tabela progressiva, ficando com o valor necessário para viajar.

“Se por outro lado, em vez de utilizar a previdência, usasse um CDB, um título do Tesouro Direto, considerando a mesma rentabilidade, ela precisaria poupar e investir todos os meses o equivalente a R$ 202,92” diz Cintia.

Caso tivesse opta do por um investimento em renda fixa, ele teria uma alíquota de IR menor (15%), valor que seria retirado apenas sobre o que rendeu e não no valor total.

Autor: Felipe Nunes
Referência: Folha de São Paulo