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Previdência perde fôlego com inflação e juros altos

16 de janeiro 2023 Paulo Araripe Jr.

Com atividade fraca, 2023 tende a ser ano difícil Estevão Scripilliti, diretor da Bradesco Vida e Previdência: “Quem ficou defasado na oferta teve que correr atrás”

O ano de 2022 foi mais de “rouba-monte” na previdência complementar do que de dinheiro novo, e 2023 tem elementos para repetir essa dinâmica.

O setor guarda relação estreita com a atividade econômica, e fatores como juros altos e inflação consomem poder de compra e a capacidade de poupança da população. Mas são justamente os momentos de taxas elevadas considerados os melhores para se construir reservas para a aposentadoria, valendo-se da capitalização do dinheiro no tempo. A renda fixa tem liderado a preferência dos investidores.

Olhando-se a fotografia dos fundos que acolhem os recursos dos planos privados de previdência, a captação líquida totalizou R$ 13,0 bilhões no ano passado, um recuo de 2,5% em relação a 2021, com o patrimônio do segmento chegando a R$ 1,2 trilhão, segundo a Anbima, que representa o mercado de capitais e de investimentos. Em termos nominais, é o pior desempenho desde 2008.

Pelos números parciais de portabilidade da Susep, o regulador do setor de seguros e previdência, mais de R$ 40 bilhões tinham trocado de mãos, conforme as estatísticas disponíveis em novembro.

Entre os grandes grupos seguradores, que em seus conglomerados também são os maiores gestores de fundos de previdência, só o Itaú Unibanco tinha um valor líquido positivo entre portabilidades aceitas e cedidas para a concorrência, com R$ 1,6 bilhão. Bradesco Vida e Previdência perdeu R$ 4,3 bilhões; a Brasilprev cedeu liquidamente R$ 6,4 bilhões; a Caixa, R$ 2,1 bilhões; a Zurich Santander Brasil, outro R$ 1,5 bilhão; e o Safra, R$ 198,1 milhões.

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Autor: Adriana Cotias
Referência: Valor Econômico