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Amil retoma venda de planos individuais e familiares em São Paulo

04 de maio 2023 Paulo Araripe Jr.

A Amil lança neste mês um plano individual e familiar, depois de uma década sem vender este modelo de contrato. Inicialmente, a cobertura é para quatro municípios do estado: São Paulo, Guarulhos, Arujá e Mogi das Cruzes. O Rio de Janeiro deve ser o próximo município a receber o plano.

O atendimento é feito exclusivamente por hospitais e centros da rede própria da Amil. Os beneficiários também têm direito a consultas ilimitadas por telemedicina. Segundo a empresa, o plano Amil F110 SP, como é chamado, tem segmentação ambulatorial e hospitalar com obstetrícia.

As mensalidades individuais variam de acordo com idade, modelo de coparticipação e tipo de acomodação hospitalar, podendo variar de R$ 437 a R$ 1.623 por pessoa de acordo com o plano escolhido.

No plano familiar, é preciso ter, no mínimo, dois beneficiários, sendo um titular e um dependente, sem limite máximo para a composição familiar. A empresa afirma que “a intenção é atender famílias em seus mais diversos formatos, inclusive as de relações homoafetivas”.

O novo plano ainda estabelece um valor em reais para a coparticipação, em vez de cobrar um percentual do valor de consultas e procedimentos. A opção de coparticipação pode ser completa ou somente para terapias como fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição e psicoterapia. Para consultas eletivas e clínicas, por exemplo, o limite máximo de coparticipação por consulta é de R$ 25 e, para internações, R$ 180.

Na capital paulista, os beneficiários terão acesso aos hospitais Vitória, Luz Vila Mariana, Luz Santo Amaro, Metropolitano e Paulistano. Neste último, apenas para cirurgia cardíaca adulto, neurocirurgia coluna, oncologia e transplante de medula óssea. Em Guarulhos, está disponível o Hospital Carlos Chagas; em Mogi das Cruzes, o Ipiranga Mogi; e no Arujá, o Hospital e Maternidade Ipiranga Arujá.

A Amil tem hoje aproximadamente 340 mil clientes em sua carteira de planos individuais, com rede credenciada aberta, modelo diferente do que está sendo lançado. “O setor de saúde suplementar é extremamente dinâmico e faz parte da atividade monitorar o mercado em busca de oportunidades. O grande diferencial deste novo plano é o atendimento na rede própria da Amil, que disponibiliza ambulatórios e hospitais de excelência nas cidades de cobertura do produto”, afirma a operadora à Folha.

O setor de planos de saúde está em crise desde a pandemia. O prejuízo operacional registrado no ano passado foi de R$ 11,5 bilhões. O pior resultado desde o começo da série histórica em 2001.

Dados da Fenasaúde, entidade que representa os planos, apontam que, entre 2021 e 2022, as receitas dos planos de saúde cresceram 5,6%. Enquanto que, no mesmo período, as despesas aumentaram 11,1%. Em crise, as operadoras renegociam pagamentos, buscam formas de diminuir uso dos pacientes e já falam em aumento de preço das mensalidades.

A UnitedHealth Group, controladora da Amil, desenvolveu o produto para disputar a escassa oferta de planos individuais e familiares e tentar reverter seu prejuízo do ano passado na casa dos R$ 3 bilhões.

Na categoria planos individuais, a ANS (agência reguladora) limita o percentual de reajuste das mensalidades. No caso dos planos de saúde coletivos empresariais, que são a maioria no Brasil (68%), a ANS apenas acompanha os reajustes negociados diretamente entre a operadora e a empresa ou sindicato. Por isso a maior parte das seguradoras deixou de vender a carteira individual, mas as existentes têm de ser mantidas.

A UnitedHealth Group, maior operadora de saúde dos Estados Unidos, tentou vender a carteira de planos individuais da Amil por mais de R$ 5 bilhões. Mas, depois de estudar vários modelos de venda, suspendeu o processo.

Autor: Ana Paula Branco
Referência: Folha de São Paulo