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Coronavírus – 100 mil mortos e contando

10 de agosto 2020 | Antonio Penteado Mendonça

É apavorante pensar que o Brasil está atingindo a marca de cem mil mortos pelo coronavírus. Mas mais apavorante ainda é pensar que este número continua subindo e que, até a vacina chegar, com sorte na metade do ano que vem, temos tudo para ultrapassar a casa dos duzentos mil mortos.

Boa parte dos brasileiros jogou a pandemia na conta de fatalidades incontroláveis e adicionou o coronavírus ao rol integrado por dengue, chicungunha, febre amarela, sarampo, malária e outras epidemias que corroem a saúde da população e matam milhares de pessoas todos os anos.

A diferença é que o coronavírus mata mais de mil pessoas por dia. Ou seja, é muito mais letal do que as grandes tragédias nacionais, como os homicídios, na casa dos cem mil mortos, e os acidentes de trânsito, próximos de quarenta mil mortos por ano.

Somos disparados os segundos colocados no placar internacional. Apenas o Estado de São Paulo tem mais mortos do que vários países europeus somados. Na nossa frente, entre as nações, apenas os Estados Unidos e ninguém nos ameaça de perto. Se o Brasil precisava de algo para prejudicar ainda mais sua imagem internacional, já comprometida pelo desmatamento da Amazônia, o coronavírus é um prato cheio. E este quadro não é pior porque, surpreendentemente, o SUS (Sistema Único de Saúde) mostrou que funciona bem. Basta lhe darem os recursos necessários e ele faz sua parte.

De outro lado, os planos de saúde privados estão tendo atuação impecável desde o início da pandemia. Para tristeza dos que ganham remando contra eles, os planos estão fazendo sua parte sem qualquer marola que denigra seu comprometimento com o atendimento à saúde de quarenta e sete milhões de brasileiros que dependem deles.

Mas se o SUS funciona e os planos de saúde privados estão fazendo sua parte, onde foi que a vaca foi pro brejo? O que deu errado e levou o Brasil ao trágico patamar das cem mil mortes, ainda na metade do caminho?

As causas são conhecidas e não precisam ser repetidas, mesmo porque estão diariamente na imprensa, que não se cansa de mostrar o desastre que foi e é a atuação do governo federal como gestor da pandemia.

Tomamos emprestados os poderes milagrosos da cloroquina, sacamos da cartola um vermífugo e, ao contrário do mundo, não tomamos nenhuma providência mais séria para enfrentar, cientificamente, a pandemia que se espalhou por todo o território nacional. O resultado está aí: cem mil mortos e contando.

Mas se a tragédia das mortes é insuportável e vergonhosa, o quadro geral da nação é dramático. O desemprego come solto, a miséria cobra seu preço jogando milhares de pessoas nas ruas, os pobres ficam mais pobres, a classe média fica mais pobre, a economia encolhe e o governo federal saca uma reinvenção da CPMF como ferramenta para combater o que vai muito mal e que eleva o rombo das contas públicas a números inimagináveis seis meses atrás.

Este cenário de terra arrasada atinge a nação e cobra um preço absurdo da sociedade, que vê as chances de cura da pandemia e retomada da economia serem jogadas para o futuro, sabe Deus quando.

Nenhuma atividade econômica vai passar incólume pela tempestade e o setor de seguros não é a exceção à regra. Os planos de saúde já estão apontando a queda do número de segurados, decorrente do desemprego crescente entre os trabalhadores formais, que são seus grandes beneficiários, através dos contratos de trabalho.

A atividade econômica deve cair para patamares muito baixos e isto significa menos seguros para serem feitos, tanto pela diminuição dos negócios, como pelo empobrecimento da população.

É verdade que o outro lado da moeda é a queda da sinistralidade de carteiras como os seguros de veículos, mas ela não compensa a soma da queda do faturamento com a redução da remuneração das aplicações financeiras.

Não se espera uma crise sistêmica no setor de seguros.

As reservas são de mais de um trilhão de reais e a retomada das grandes obras joga alento no quadro. De qualquer forma, o futuro imediato será complicado para quem não prestar atenção.

Referência: Estado de São Paulo