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Investimento privado em saúde é preciso

16 de novembro 2020 | Breno de Figueiredo Monteiro

Rede particular é, ao lado do SUS, um dos pilares da assistência médico-hospitalar

A experiência de combate à Covid-19 elevou o nível de responsabilidade que a sociedade atribui aos sistemas de assistência médica e hospitalar. Ao lado dos cuidados com a saúde individual e o tratamento das doenças, reforçou-se a atenção à saúde coletiva e à preparação para enfrentar ameaças capazes de afetar  a vida social e a economia. A cruzada mundial contra o vírus evidenciou a necessidade de investir mais e mais em ciência, tanto no setor público quanto no privado.

A luta contra a Covid-19 também demonstrou como os setores público e privado podem ser complementares. O SUS mostrou a enorme vantagem que significa um serviço de assistência universal. Ele deve ser motivo de orgulho para os brasileiros, mas é preciso admitir que é subfinanciado. O Estado investe menos de 4% do PIB na saúde, ao passo que os países mais desenvolvidos chegam a gastar três vezes mais. A sociedade precisa buscar formas de fortalecer e apoiar o setor público.

As empresas privadas de saúde reforçaram sua parceria com o Estado, mobilizando recursos para ir além do atendimento aos seus próprios clientes. Contribuíram com insumos para a assistência gratuita aos pacientes do SUS, equiparam hospitais públicos, construíram e operaram hospitais de campanha. Além disso, fizeram doações para a rede pública que somaram milhões de reais.

Os novos desafios criados pela pandemia também colocaram para a iniciativa privada a necessidade de mobilizar recursos financeiros crescentes para sua expansão e atualização. Acelerou-se a corrida tecnológica em busca de novas drogas, equipamentos e sistemas, enquanto simultaneamente foi ampliada a demanda por suprimentos e profissionais qualificados e se fez notar ainda mais a necessidade de ampliação de estruturas de atendimento.

Em busca de recursos para financiar esse crescimento necessário, as empresas de saúde têm recorrido aos investidores do mercado de capitais. E estes, por sua vez, começam a perceber os desafios da saúde como oportunidades. Cada vez mais, investimentos afluem para o setor, beneficiando empreendimentos de portes diversos em toda a cadeia produtiva, dos serviços e da indústria. Milhares de startups estão sendo financiadas para buscar soluções inovadoras. Ao mesmo tempo, investimentos, avaliados em bilhões, têm sido empenhados na busca por medicamentos e vacinas. Trata-se de um setor com ramos dos mais variados tamanhos e grande capilaridade.

O Brasil tem qualificações para atrair recursos dos investidores. Estamos na vanguarda mundial em muitas áreas da medicina, como cardiologia, oncologia e neurologia. Paralelamente, temos uma infraestrutura moderna e diversificada, que conta com 235 mil empresas, emprega mais de 2,4 milhões de trabalhadores e movimenta 354 bilhões de reais ao ano. Além do mais, temos um mercado com mais de 46 milhões de usuários de planos de saúde, que tende a crescer fortemente, tão logo a economia e o emprego se recuperem.

Mais do que nunca, é muito bem-vinda essa convergência entre o mercado de capitais e as empresas de saúde. Ela permitirá reforçar o papel essencial que o setor de saúde privada desempenha como um dos pilares da assistência médico-hospitalar, ao lado do SUS, e também como uma das áreas mais dinâmicas da economia brasileira, por sua contribuição para a geração de riquezas e de empregos.

Com o apoio desse importante instrumento de captação que é a Bolsa de Valores, o setor de saúde terá acesso a novos recursos para construir mais hospitais, laboratórios e clínicas, abrir mais leitos, realizar mais pesquisa e, assim, fazer frente aos desafios do nosso tempo e às demandas da sociedade.

Referência: O Globo On-Line