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Mais integração, mais vidas salvas

22 de dezembro 2020 | FenaSaúde

Planos e seguros de saúde acentuam relevância durante a pandemia

A pandemia alterou paradigmas da saúde em todo 0 mundo. No Brasil, onde os desafios e as limitações são ainda mais nítidos, mudanças no modelo de assistência se fazem mais urgentes.

A necessidade de fortalecimento do SUS é hoje quase unanimidade, em razão do seu meritório desempenho frente à covid-19. Mas, para avançarmos de fato, é preciso ter presente que os resultados conquistados pelo sistema público brasileiro seriam menos positivos sem a atuação dos planos e seguros privados.

A saúde suplementar se mostrou, mais uma vez, fundamental na crise que atravessamos. Sem seu bom funcionamento, a sobrecarga sobre o SUS poderia ter sido fatal. Afinal, são 47,4 milhões de pessoas atendidas. Ao cuidar de um em cada quatro brasileiros, os planos de saúde ajudam todo o sistema de saúde a curar e salvar vidas: cada beneficiário assistido significa uma vaga a mais disponível para quem só tem o SUS a que recorrer.

Mesmo na pandemia, planos e seguros de saúde aumentaram suas coberturas. Até novembro, dado mais recente disponível, foram 350 mil vidas a mais na assistência médico-hospitalar, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). É mais uma demonstração da importância que famílias e empresas brasileiras conferem à saúde suplementar’.

Tal constatação reforça um dos principais ensinamentos da pandemia: a necessidade de ampliar a integração entre atuação dos sistemas público e privado. A Constituição já prevê a complementariedade, mas agora é a realidade que a torna imperativa. Há vários caminhos por onde ela pode ser expandida.

A covid-19 escancarou a necessidade de mudanças em modelos de assistência que permitam ampliar o acesso, produzir desfechos de mais qualidade para os pacientes e atacar a escalada de custos que vitima os sistemas em todos os cantos do planeta: saúde custa caro e vai custar cada vez mais. Esse é o rumo a ser seguido.

Diante desses desafios, a pandemia abre a possibilidade de avançarmos numa agenda múltipla, mas convergente entre os agentes do setor e, sobretudo, nos objetivos acima expressos. E o que defende a FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar).

Tais mudanças podem colaborar para que os sistemas público e privado trabalhem mais próximos e mais integrados, dando mais eficiência, eficácia e efetividade aos recursos aplicados – que tendem a ser cada vez mais escassos com o baque econômico e a penúria fiscal do Estado brasileiro.

Entre esses fatores está a APS (Atenção Primária à Saúde), capaz de resolver até 80% dos casos, segundo estudos internacionais, e a necessidade de concentrar maior ênfase em prevenção, uma das lições da pandemia.

Um segundo aspecto diz respeito a novos modelos que reduzam 0 impacto dos custos da incorporação de novas tecnologias nos tratamentos e terapias, fator central para o incessante encarecimento da saúde no mundo todo. No Brasil, uma das saídas – seguindo exemplos bem-sucedidos em outros países – é unificar os processos de incorporação, hoje separados entre SUS e saúde suplementar.

Outro elemento é a necessidade de adoção de novos modelos de remuneração de prestadores de saúde. Passa da hora de migrarmos para sistemas baseados em desempenho e resultados, em que o pagamento depende dos desfechos para os pacientes: ganha mais quem cura mais.

Aliada importante, tanto para o aumento da prevenção quanto para a racionalização de custos na saúde, é a telemedicina, que pode e deve ser mais utilizada tanto pelas redes públicas quanto pelas privadas – como já vem ocorrendo em larga escala.

Se avançarmos na implementação desse conjunto de fatores, estaremos caminhando para melhorar muito o nosso sistema de saúde, assentado sobre as duas pernas que, constitucionalmente, devem lhe dar melhor sustentação. E fundamental prover melhores condições – inclusive de financiamento – para o SUS funcionar melhor. Para isso, quanto mais a saúde suplementar se expandir, melhor.

A pandemia foi um choque. Mas está servindo para colocar a saúde no centro das atenções de todos. Tudo considerado, não é difícil vislumbrar que estamos vivendo, em todo o mundo, uma transição que pode permitir a introdução de novos modelos, novas respostas e soluções que promovam mais saúde para muito mais pessoas. Integrar mais os sistemas públicos e privados é a melhor maneira de conseguir salvar mais vidas.

Referência: Estado de São Paulo