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Opinião

Combate à Covid-19 deve ser prioritário, mas pacientes com outras doenças não podem ser deixados de lado

25 de março 2021 ANAHP Associação Nacional de Hospitais Privados

Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) faz alerta sobre o risco do cancelamento de procedimentos eletivos

A gravidade da crise sanitária que o País enfrenta não permite qualquer outra prioridade que não a mais rápida e eficiente assistência aos pacientes com Covid-19. Os hospitais privados, nos últimos 12 meses, têm feito esforços extraordinários, apoiados pela competência e dedicação dos profissionais de saúde e de seus funcionários, para ampliar os recursos à disposição dos milhões de brasileiros atingidos pela pandemia. A sociedade, os meios de comunicação e as autoridades nacionais têm reconhecido e aplaudido este esforço que se soma ao Sistema Único de Saúde (SUS) na tentativa de proteger a saúde da população do País em seu mais grave momento.

Neste contexto, recentes manifestações têm sugerido a proibição da prática de qualquer procedimento eletivo, cirúrgico ou não. O que aparentemente faria sentido, dadas às dificuldades do atual momento, envolve, no entanto, uma simplificação perigosa. Sob o título genérico de “eletivas”, abrigam-se situações totalmente diversas do ponto de vista dos pacientes. Algumas são efetivamente adiáveis, sem qualquer repercussão ou risco. Muitas outras, porém, se postergadas, implicarão o agravamento da doença com inevitáveis consequências para o paciente e para o próprio sistema de saúde.

Tentar simplificar esta situação, pretendendo que a prioridade nacional contra a Covid-19 elimine sumariamente determinados procedimentos eletivos equivale a desconhecer a amplitude e a complexidade de situações que se apresentam diariamente aos hospitais brasileiros, mesmo em período de pandemia.

As melhores práticas em saúde, ao contrário, determinam o respeito à autonomia do médico que, mais que ninguém, poderá avaliar, inclusive considerando o momento atual, a necessidade inadiável de determinados procedimentos (cirúrgicos ou não). Da mesma forma, outra prática indispensável é o respeito à capacidade e ao profissionalismo com o qual os hospitais atuam na compatibilização da prioridade ao tratamento de paciente com Covid-19 e o respeito a outras urgências determinadas por escolha médica.

A Anahp continuará defendendo o que o bom senso indica: prioridade absoluta na luta contra a Covid-19, com a destinação de todos os profissionais, facilidades e equipamentos possíveis, e atendimento, quando indicado pela autonomia do julgamento dos profissionais médicos de casos específicos, necessários e obrigatórios envolvendo outras patologias.

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