Capitolio


A Conseguro bombou

04 de outubro 2021 | Antonio Penteado Mendonça

A 10ª Conseguro bombou.

Ao longo da semana passada, mais de três mil pessoas participaram do evento, que começou quente, seguiu acelerado e acabou fervendo. Tem quem vai dizer que o sucesso foi empurrado pelo confinamento e a necessidade de as pessoas se encontrarem com outras pessoas para se sentir vivas.

Ninguém discute que o confinamento por mais de ano e meio, em decorrência da covid-19, tem peso na reunião de pessoas há muito tempo isoladas.

O ser humano é um animal gregário, e a distância provocada pela pandemia tem impacto positivo na realização de eventos de todos os tipos, a distância ou presenciais.

Nós queremos ouvir e ver os outros, queremos sentir que somos parte da comunidade em que vivemos, que não fomos esquecidos e que, de uma forma ou de outra, temos capacidade para repartir, compartilhar, caminhar juntos e, no fim do dia, dizer: “Fizemos bem feito”.

Mas a Conseguro foi além disto. Ela foi um sucesso porque focou os temas corretos. O que precisava ser discutido e assimilado. As arestas nos barrancos das estradas e as curvas do rio, com as tranqueiras criando redemoinhos que precisavam ser ultrapassados.

Ao longo da semana, a Conseguro colocou na mesa, ou melhor, nas telas, os pontos mais relevantes para o setor de seguros. E apresentou abordagens modernas para explicar cada um deles, suas origens, desdobramentos e consequências.

Especialistas de diferentes segmentos, com formação seguindo diferentes correntes socioeconômicas, colocaram seus enfoques e deram os subsídios necessários para o entendimento das múltiplas alternativas que, juntas, levam à convergência necessária para dar um desenho mais consistente ao atual estado do setor e às possibilidades que se abrem à frente.

Especialistas em seguros, em economia, em comunicação, em avaliação de riscos, profissionais de seguradoras, de corretoras de seguros, de insurtechs, autoridades e funcionários do governo, sucessivamente, expuseram seus pontos de vista e as razões que os embasam, formando uma ampla malha com as informações e reflexões indispensáveis para moldar o quadro macro do qual cada um retira suas conclusões para suas situações específicas.

Tendo o quadro geral mais claro, é muito mais fácil planejar, encontrar caminhos, definir prioridades e adotar as medidas necessárias à implementação do plano estratégico e das ações táticas sem as quais não há como fazer o desenho ficar em pé.

As discussões provocadas pela Conseguro acontecem num momento crucial para a definição das ações a serem implementadas. E elas não serão unânimes, nem as mesmas adotadas por todos os players do setor de seguros.

As dificuldades que ameaçam a economia nacional começam na inflação, que faz que vai escapar e que já chega a dois dígitos em várias capitais; passam pela elevação dos juros; levam em conta o desemprego, a desigualdade social e a carestia que assola milhões de famílias, diretamente atingidas pelos efeitos da pandemia.

Mas a leitura desse quadro não é semelhante, nem será a mesma feita pelos diferentes executivos encarregados das milhares de empresas e pessoas direta e indiretamente envolvidas com a atividade seguradora.

É aí que a contribuição de um evento como a Conseguro não tem preço. Dada a abrangência dos painéis, as discussões abrem espaço inédito para reforçar pontos de vista, validar pesquisas e certezas que levarão à tomada de decisão sobre os próximos passos, e também os passos não tão próximos, que darão sustentação às ações dos diferentes agentes do setor.

A Conseguro é um sucesso desde sua primeira edição.

Mas este ano, no formato digital, ela conseguiu ir um passo além do desenho tradicional. Ela democratizou a disseminação do conhecimento, trazendo para dentro de sua órbita centenas de novos profissionais que até agora não tinham acesso a informações fundamentais para sua formação e, ainda mais relevante, aos dados mais acurados a respeito do setor, sem os quais a tomada de decisão fica seriamente comprometida. Parabéns, Conseguro, a lição de casa foi mais do que bem feita.

Referência: Estado de São Paulo