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Alguma coisa não está batendo

24 de janeiro 2022 | Antonio Penteado Mendonça

O mundo está na casa dos três milhões de casos por dia. Os Estados Unidos estão acima de um milhão e meio de casos por dia.

Estimativas feitas por instituições internacionais indicam que o Brasil está próximo de 500 mil casos por dia. No entanto, nossos números mostram um oásis de bem-aventurança, com números muito menores do que os que acontecem no mundo e são previstos para nós.

Ninguém fala nada, mas um hipotético e misterioso ataque de hackers contra o Ministério da Saúde teria desorganizado a cadeia de informações sobre a covid-19 no País. Pode ser que sim, pode ser que não. O que é estranho é que não há investigação, nossos órgãos de segurança, tão zelosos em informar seus sucessos no combate ao crime, estão mudos, não há movimentação ou pelo menos entrevistas do Ministério Público. E o que é mais estranho: ninguém explicou qual seria o interesse dos hackers nesse ataque que foge completamente ao que costuma ser feito pelos criminosos cibernéticos.

Curiosamente, no mundo real, a coisa é bem diferente.

Não há testes para covid-19 porque a demanda acabou com os existentes. Os prontos socorros estão lotados em toda a rede pública de saúde, tanto faz o Estado escolhido como amostra.

A rede privada também está completamente lotada, inclusive com os grandes hospitais seis estrelas apresentando demora de mais de cinco horas para conseguir internar um paciente em estado potencialmente crítico.

Não menos importante, todas as entrevistas com os responsáveis pelos laboratórios que testam covid-19 têm como dado comum o aumento mais do que expressivo do número de testes positivos em relação ao que acontecia até o final do ano. Com um detalhe apavorante: o Brasil continua sendo um dos países que menos testam a doença, o que distorce os dados e impede uma tentativa séria de saber qual nossa realidade.

De qualquer forma, é triste dizer, ela parece mais próxima das estimativas internacionais do que dos dados divulgados pelas autoridades.

O que muda substancialmente o cenário atual é que a variante Ômicron da covid-19 apresenta uma taxa de contágio altíssima e uma taxa de mortalidade relativamente baixa, o que explica nossos prontos socorros lotados e as UTIs menos cheias do que no ano passado.

A boa notícia é que está morrendo menos gente do que em 2021, a má notícia é que o governo federal insiste em negar ou tentar diminuir os números da pandemia, mesmo depois de Olavo de Carvalho, o grande guru do presidente, ter testado positivo.

O fato é que os custos de atendimento da covid-19 voltaram a subir, e subir bastante, mesmo com a menor necessidade de internação em UTIs.

O aumento dos casos pode ser visto nos prontos-socorros lotados e na abertura de novos leitos para covid-19.

Como se não bastasse, as tendas montadas por alguns hospitais para darem conta dos pacientes que os procuram com problemas respiratórios confirmam a sobrecarga do sistema de saúde. Neste cenário, os planos de saúde privados precisam ser vistos com muito cuidado.

Referência: Estado de São Paulo