Opinião
Como funcionam os planos de saúde privados – parte 1
27 de junho 2022 Antonio Penteado Mendonça
Os planos de saúde privados têm uma avaliação peculiar. De um lado, são tachados de gananciosos, mesquinhos e insensíveis, preocupados apenas com seus lucros astronômicos e, de outro, integram o rol dos cinco maiores sonhos de consumo, sendo um dos principais objetos de desejo da população.
Infelizmente, apenas 50 milhões de brasileiros são atendidos por eles, e esse número não deve variar nos próximos anos, o que deixa mais de 170 milhões de pessoas garantidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), com todas as dificuldades que isto significa.
Em 2021, os planos de saúde privados faturaram quase R$ 240 bilhões e pagaram, para custear mais de um bilhão de procedimentos cobertos, perto de R$ 210 bilhões.
Numa comparação singela, enquanto o SUS tem um orçamento ao redor de R$ 136 bilhões para atender mais de 70% da população, os planos de saúde privados, para atender os outros 30%, têm R$ 240 bilhões, dos quais R$ 210 bilhões foram destinados a pagar os procedimentos cobertos.
Aqui surge um dado relevante. A subtração de R$ 210 bilhões dos R$ 240 bilhões faturados deixa um saldo de R$ 30 bilhões para fazer frente às despesas comerciais, administrativas e fiscais, o que coloca em xeque os “lucros exorbitantes”, já que existem perto de 700 operadoras de planos de saúde privados registradas no País, e elas não têm o mesmo desempenho.
Mas, hipoteticamente, dividindo os R$ 30 bilhões brutos pelo número de participantes do sistema, vamos ter R$ 600 por segurado por ano, e isto não é lucro, mas o total para pagar o funcionamento da operadora, os impostos e remunerar os acionistas.
Os planos de saúde se baseiam no mutualismo, na constituição de um grande fundo composto pelos pagamentos proporcionais de cada um dos participantes para fazer frente às despesas incorridas por alguns deles, num determinado espaço de tempo, com suas necessidades de saúde.
O segredo é este. Alguns participantes vão usar seu plano, mas a maioria não vai.
Assim, é possível ratear o custo da operação por todos, cabendo a cada um uma contribuição proporcionalmente pequena em relação à despesa que um segurado teria, caso necessitasse algum procedimento de saúde.
Para funcionar, este modelo precisa de segurança para o cálculo do preço individual de cada plano, rateado pelo total da operação. Sem isto, não há como a operadora pagar o negócio. Daí a importância do rol taxativo de procedimentos. Mesmo com ele, o custo de um plano de saúde privado brasileiro está ao alcance de apenas 25% da população. Se tudo estivesse coberto, como aconteceria com um rol exemplificativo, o rateio da operação criaria uma mensalidade fora da realidade nacional, inviabilizando o sistema privado e comprometendo o SUS, que não teria condições mínimas de atender com dignidade a saúde de todos os brasileiros.
(continua)
Referência: Estado de São Paulo