Capitolio


O crescimento real da arrecadação do mercado de seguros

27 de junho 2022 | Marcio Serôa de Araujo Coriolano

Segue breve nota preparada pelo economista Marcio Serôa de Araújo Coriolano, sobre o crescimento do mercado de seguros em 25 anos. Crescimento real, isto é, descontada a inflação.

A Nota mostra que o “período de ouro” foi entre 2006 e 2012. Na esteira do crescimento do PIB, aumento do rendimento médio das famílias, desconcentração geográfica de oportunidades, e inflação e juros controlados.

Veja a nota a seguir:

NOTA: Sobre o crescimento real da arrecadação do mercado de seguros

1996 – 2021 = 25 anos (sem saúde suplementar e sem DPVAT)

1 -Em termos reais, a arrecadação dos seguros deflacionada pelo IPCA cresceu 3,7 vezes em 25 anos (ou seja, quase quadruplicou de tamanho), de R$ 83,3 bi para R$ 306,4 = média de 5,3% ao ano.
OBS: cresceu 16,2 vezes em termos nominais = média de 11,8% ao ano.

2 – Arbitrou-se uma segregação temporal em 3 períodos: 1996 a 2006; 2006 a 2012 e 2012 a 2021, em função da amplitude anual das respectivas taxas reais de crescimento.

3 – Entre 1996 e 2006 (10 anos) os seguros cresceram 65% em termos reais, ou uma taxa média anual de 5,2% ao ano.

4 – O maior crescimento real ocorreu entre 2006 e 2012 (6 anos) – 2,2 vezes (mais do que dobrou de tamanho) = média de 10,8% a.a.
OBS 1: cresceu 2,5 vezes em termos nominais; 16,6% a.a.
OBS 2: razões: maior crescimento do PIB; baixas inflação e juros; aumento do rendimento médio da população e desconcentração geográfica do crescimento.

5 – De 2012 até 2021 (9 anos) o mercado cresceu 2,1% a.a.
OBS: razões: esgotamento do modelo de crescimento; crises recessivas; instabilidade institucional; pandemia.

6 – Em 25 anos, observou-se apenas 2 anos com decréscimo global real: 2018 e 2020 (afetado por Cobertura de Pessoas).
OBS: razões: PIB menor; exacerbação de expectativas (2018) e volatilidade do mercado de ações e títulos (2020).

7 – Nesses 25 anos, as taxas médias anuais de crescimento real segundo os grandes segmentos de seguros foram as seguintes:

Danos e Responsabilidades:
1996 a 2021
= 3,7% a.a. (25 anos);
1996 a 2006 = 3,1% a.a. (10 anos);
2006 a 2012 = 4,4% a.a. (6 anos);
2012 a 2021 = 3,1% a.a. (9 anos).

OBS: Decréscimo real em:
– 1999;
– 2003;
– 2015 e 2016.

Cobertura de Pessoas:
1996 a 2021 = 9,2% a.a.;
1996 a 2006 = 12,9% a.a.;
2006 a 2012 = 13,5% a.a.;
2012 a 2021 = 2,5% a.a.

OBS 1: Planos de Acumulação a partir de 1999, influenciando crescimento de 1996 a 2006. Sem Planos de acumulação de 1996 a 2006: 2,5% a.a. Sem Planos de Acumulação de 1996 a 2021: 3,8% a.a.

OBS 2: Decréscimo real em:
– 2018; e
– 2020.

Capitalização:
1996 a 2021
= (0,1%) a.a.;
1996 a 2006 = (4,5%) a.a.;
2006 a 2012 = 9,5% a.a.;
2012 a 2021 = (1,4%) a.a.

OBS: Decréscimo real em:
– 1998;
– 2005 e 2016;
– 2014 a 2018;
– 2020 e 2021.

Saúde Suplementar (não integra os cálculos do setor global de seguros até o item 5):
– Cresceu 7,4 vezes em termos reais (R$ 33,2 bi para R$ 247,5 bi) e 32,9 vezes em termos nominais; 8,4% a.a. e 15% a.a., respectivamente.
1996 a 2021 = 8,4% a.a.;
1996 a 2006 = 10,1% a.a.;
2006 a 2012 = 10,9% a.a.;
2012 a 2021 = 4,8% a.a.

OBS: Decréscimo real em:
– 2001; e
– 2013

Referência: Capitolio