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Opinião

Plano de Saúde é um privilégio… mas até quando?

27 de abril 2023 Roberto Parenzi

Considero ser um privilegiado por poder pagar um plano de saúde. Isto porque a saúde para ser bancada como particular tem um preço muito elevado, e, dependendo do que possa vir ocorrer, tornar-se impossível para a maioria poder arcar; o SUS, apesar de importância, não permite o imediatismo, sendo cada vez maiores as filas para realização de simples exames ou consultas.

Já há algum tempo venho escrevendo chamando a atenção para as dificuldades que vem se avizinhando dos planos e seguradoras de saúde. Três fatores vem sendo fortemente impactantes para os resultados (e todo empresário que se preze quer algum resultado satisfatório) em queda. SINISTRALIDADE elevada, FRAUDES, JUDICIALIZAÇÃO com sentenças além do que prevê a legislação e a definição do ROL EXEMPLIFICATIVO.

Vimos batendo nestas teclas há algum tempo e agora chegamos ao resultado divulgado pela agência para o ano de 2022.

Com foco no resultado médio do setor, obtivemos:

Resultado Operacional do setor (negativo): – 11,5 bilhões

Resultado Líquido do setor (negativo): – 505,7 milhões

Graças, principalmente aos resultados financeiros e patrimoniais, houve redução do prejuízo operacional bilionário para um final milionário.

A sinistralidade deu sua grande contribuição para estes resultados negativos. Analisadas 627 empresas (excluídos planos odontológicos), chegamos aos seguintes números:

Receitas de contraprestações: R$ 230.922.656

Despesas assistenciais:              R$ 206.399.654

Relação %:   89,4%

Do total arrecadado pelos planos, com pagamentos pelos usuários, 89,4% foi revertido em gastos assistenciais com estes mesmos usuários. Portanto, em média, restou aos planos utilizar 10,6% desta arrecadação para custeio administrativo, comercial, impostos e outros. E não deu para pagar tudo, pois chegou-se a um resultado negativo no ano, Considerado só o Resultado da Operação o prejuízo foi bilionário.

Para que um setor prospere. Mister se faz que o empresário tenha retorno de seu investimento.

E este investimento, que se chama plano de saúde suplementar, oferece à população não só tratamento, mas mais que isto, saúde, bem estar, longevidade, inclusão de mais de 50 milhões de brasileiros a uma proteção rápida e decente.

Vamos convocar a todos para uma utilização racional dos planos; para coibir e ajudar a coibir as fraudes que corroem os resultados; a cuidar dos reembolsos diretamente com sua operadora; a não assinar guias em branco, não ceder ou emprestar documentos de identificação.

A sustentabilidade do setor depende de todos os atores que fazem parte dele: Clientes, prestadores de serviço, operadoras e seguradoras e o governo.

A quebra desta sustentabilidade vai levar a todos a se contentar com o que nos oferece o Estado (pobre Estado) ou a conviver com valores impagáveis da saúde privada. Vamos pensar e trabalhar juntos pela melhoria do sistema.

Referência: Capitolio