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Coluna do Coriolano

Seguros – Números até o mês de Agosto de 2023

11 de outubro 2023 Marcio Serôa de Araujo Coriolano

A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) divulgou em 11/10/2023 as estatísticas da arrecadação e das despesas dos seguros atualizadas até o mês de AGOSTO do corrente ano.

A taxa de crescimento anualizada das receitas, cuja queda havia sido interrompida em JULHO, voltou a se reduzir, desta vez para 10,4% (11,8% em JULHO e 11,7% em JUNHO). É a menor taxa desde ABRIL de 2021. Para uma comparação rápida, em janeiro deste ano a taxa anualizada de crescimento havia sido de 17,2%, a maior da série histórica.

As receitas em AGOSTO, de R$ 36,6 bilhões, tiveram acréscimo de 3,3%% frente às do mês anterior, JULHO, após o aumento de 7,9% relativo a JUNHO. Na ausência de dados de quantidades de itens, permanece difícil diagnosticar se o efeito das taxas é de demanda efetiva ou de preços dos seguros (tarifação e reajustes), o que somente poderá ser explicado quando o SRO – Sistema de Registro de Operações, da Susep, adiado, passar à sua plena vigência.

Os números de AGOSTO ainda foram superiores em 9,5% na comparação com o mesmo mês do ano de 2022, após expressivos 13,8% na comparação com JULHO do ano passado. Quando considerado o período acumulado no ano, a arrecadação (R$ 253,8 bilhões) cresceu 8,6% contra 2022, percentual equivalente ao observado até JULHO.

O importante a observar é que (conforme acima registrado), em termos anualizados (*), em AGOSTO houve retomada da trajetória de queda da evolução (10,4%) das operações de seguros. Lembrando que as taxas haviam sido de 11,8% até JULHO, 11,7% até JUNHO, 12,2% até MAIO, 13,5% até ABRIL, 14,8% até MARÇO e de 15,6% até FEVEREIRO contra os inéditos 17,2% registrados até JANEIRO.

(*) Média de “janelas” de 12 meses móveis.

Essa evolução das taxas de crescimento das receitas ocorre pelos efeitos estatísticos de uma base anterior comparativa, de 2021 e 2022, de arrecadação mais forte. A maior contribuição relativa para essa evolução no período acumulado de janeiro a agosto foi do ramo de Danos e Responsabilidades, com 12,8%, seguida de 7,4% da Previdência Privada Aberta, de 7,1% da Capitalização e de 6,9% do ramo de Pessoas (Vida + VGBL).

O Gráfico a seguir apresenta as taxas anualizadas de JANEIRO de 2018 até o último dado de AGOSTO de 2023, estas sendo a melhor medida para a avaliação de tendências. Ainda havendo quatro meses de dados a serem divulgados até o encerramento do ano, o comportamento das receitas de cada um dos ramos dos seguros poderá ou não confirmar as recentes previsões divulgadas de crescimento de 2023 abaixo de 2 dígitos. Recordamos que os últimos dois meses do ano são historicamente de intenso esforço de vendas por parte de corretores e seguradoras.

De modo recorrente no ano, as indenizações e resgates continuam evoluindo bem abaixo das receitas, equilibrando melhor os resultados operacionais (“sinistralidades”). A persistência da política monetária restritiva – com manejo cauteloso das taxas de juros – também poderá dar mais alívio na linha financeira das seguradoras para o resultado final do ano.