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Coluna do Coriolano

Seguros – Números até o mês de Setembro de 2023

14 de novembro 2023 Marcio Serôa de Araujo Coriolano

A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) divulgou em 14/11/2023 as estatísticas da arrecadação e das despesas dos seguros atualizadas até o mês de SETEMBRO do corrente ano.

A taxa de crescimento anualizada das receitas no mês de SETEMBRO caiu para um dígito, com 8,6%, ocorrência esta que somente havia sido observada nesses últimos quatro anos no período afetado pela pandemia do coronavírus (maio de 2020 até abril de 2021). Neste ano de 2023, até o mês de setembro, as taxas anualizadas estavam em queda desde janeiro, embora ainda em dois dígitos.

As receitas em SETEMBRO, de R$ 32,5 bilhões, tiveram redução de 11,1% frente às do mês anterior, AGOSTO, após o aumento de 3,3% comparativo a JULHO. Na ausência de dados de quantidades de itens, permanece difícil diagnosticar se o efeito da última queda é de demanda efetiva ou de preços dos seguros (tarifação e reajustes), o que somente poderá ser explicado quando o SRO – Sistema de Registro de Operações, da Susep, adiado, passar à sua plena vigência.

Os números de SETEMBRO ainda foram superiores 2,4% na comparação com o mesmo mês do ano de 2022, após os 9,5% observados em AGOSTO. Quando considerado o período acumulado no ano, a arrecadação (R$ 286,3 bilhões) cresceu 8,0% contra 2022, quando havia sido de 8,6% no acumulado até AGOSTO.

O importante a observar é que (conforme acima registrado), em termos anualizados (*), em SETEMBRO foi confirmada a trajetória de queda da evolução das operações de seguros. Lembrando que as taxas haviam sido de 10,4% até AGOSTO, 11,8% até JULHO, 11,7% até JUNHO, 12,2% até MAIO, 13,5% até ABRIL, 14,8% até MARÇO e de 15,6% até FEVEREIRO contra os inéditos 17,2% registrados até JANEIRO.

(*) Média de “janelas” de 12 meses móveis.

Essa evolução cadente das taxas de crescimento das receitas ocorre pelos efeitos estatísticos de uma base anterior comparativa, de 2021 e 2022, de arrecadação mais forte. A maior contribuição relativa para essa evolução no período acumulado de janeiro a setembro foi do ramo de Danos e Responsabilidades, com 11,5%, seguida de 6,5% do ramo de Pessoas (Vida e VGBL), 6,4% da Previdência Privada Aberta e de 5,1% da Capitalização.

O Gráfico a seguir apresenta as taxas anualizadas de JANEIRO de 2018 até o último dado de SETEMBRO de 2023, estas sendo a melhor medida para a avaliação de tendências. Ainda havendo o último trimestre a ser divulgado até o encerramento do ano, o comportamento das receitas de cada um dos ramos dos seguros poderá ou não confirmar a permanência das  previsões divulgadas de crescimento de 2023 abaixo de 2 dígitos. Recordamos que os últimos dois meses do ano são historicamente de intenso esforço de vendas por parte de corretores e seguradoras.

De modo recorrente no ano, as indenizações e resgates continuam evoluindo bem abaixo das receitas, equilibrando melhor os resultados operacionais (“sinistralidades”). A persistência da política monetária restritiva – com manejo cauteloso das taxas de juros – também poderá dar mais alívio na linha financeira das seguradoras para o resultado do final do ano.