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Coluna do Coriolano

Seguros – Números até o mês de Outubro de 2023

13 de dezembro 2023 Marcio Serôa de Araujo Coriolano

A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) divulgou em 13/12/2023 as estatísticas da arrecadação e das despesas dos seguros atualizadas até o mês de OUTUBRO do corrente ano.

A taxa de crescimento anualizada das receitas no mês de OUTUBRO continuou a cair na margem de um dígito, passando de 8,6% em SETEMBRO para 8,3% no recente mês divulgado. Na Nota anterior já havíamos observado que esta ocorrência somente havia sido observada nestes últimos quatro anos no período afetado pela pandemia do coronavírus (maio de 2020 até abril de 2021). Cabe comentar que, agora, a redução da taxa anualizada aconteceu a despeito de ligeira recuperação do crescimento mês-contra-mês anterior de 1,3%, após um período de SETEMBRO bem fraco (11,1% negativos). Neste último mês divulgado o protagonismo relativo coube ao segmento de Pessoas (Vida + VGBL).

As receitas em OUTUBRO, de R$ 32,9 bilhões, tiveram, como acima referido, aumento de 1,3% frente às do mês anterior, SETEMBRO. Na ausência de dados de quantidades de itens, permanece difícil diagnosticar se o efeito desta elevação foi de demanda efetiva ou de preços dos seguros (tarifação e reajustes), o que somente poderá ser explicado quando o SRO – Sistema de Registro de Operações, da SUSEP, passar à sua plena vigência.

Quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, 2022, os números de OUTUBRO foram superiores em 11,8%, após os 2,4% observados em SETEMBRO. Ao ser considerado o período acumulado no ano, a arrecadação (R$ 319,2 bilhões) cresceu 8,4% contra 2022, quando havia sido de 8,0% no acumulado até SETEMBRO e de 8,6% no acumulado até AGOSTO.

O importante a observar é que (conforme também acima registrado), em termos anualizados (*), em OUTUBRO foi novamente confirmada a trajetória de queda da evolução das operações de seguros. Lembrando que as taxas haviam sido de 8,6% até SETEMBRO, 10,4% até AGOSTO, 11,8% até JULHO, 11,7% até JUNHO, 12,2% até MAIO, 13,5% até ABRIL, 14,8% até MARÇO e de 15,6% até FEVEREIRO contra os inéditos 17,2% registrados até JANEIRO.

(*) Média de “janelas” de 12 meses móveis.

Embora tenha havido ligeira recuperação mensal da arrecadação de seguros, essa evolução cadente das taxas de crescimento ocorre pelos efeitos estatísticos de uma base anterior comparativa, de 2021 e 2022, mais forte. A maior contribuição relativa para essa evolução no período acumulado de janeiro a outubro foi do ramo de Danos e Responsabilidades, com 10,9%, seguida de 7,4% do ramo de Pessoas (Vida e VGBL), 6,6% da Previdência Privada Aberta e de 6,1% da Capitalização.

O Gráfico a seguir apresenta as taxas anualizadas de JANEIRO de 2018 até o último dado de OUTUBRO de 2023, estas sendo a melhor medida para a avaliação de tendências. Ainda havendo mais dois meses a serem divulgados até o encerramento do ano, o comportamento das receitas de cada um dos ramos dos seguros poderá ou não confirmar a permanência das previsões divulgadas de crescimento de 2023 abaixo de 2 dígitos. Recordamos que são os meses de novembro e dezembro o período de intenso esforço de vendas por parte de corretores e seguradoras.

De modo recorrente no ano, as indenizações e resgates continuam evoluindo bem abaixo das receitas, particularmente com maior folga no segmento de Danos, equilibrando melhor os resultados operacionais (“sinistralidades”). A persistência da política monetária restritiva – com manejo cauteloso das taxas de juros – também poderá dar mais alívio na linha financeira das seguradoras para o resultado final de 2023.