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Coluna do Coriolano

O copo mais cheio da atualidade dos seguros

18 de março 2024 Marcio Serôa de Araujo Coriolano

1             A verificar-se o que vem sendo veiculado pelas mídias em geral sobre os seguros de todas as naturezas, pode ficar para muitos uma impressão de que a sua indústria mais argumenta para defender os propósitos da atividade do que atua proativamente para demonstrar para a sociedade a importância dos diversos produtos e serviços oferecidos.

2             Com efeito, esse seria um comportamento previsível, porque não é nada trivial atender a todos os questionamentos dos diferentes públicos consumidores dos seguros, como também daqueles que livremente externam suas opiniões sobre a indústria, sejam estes a imprensa, a sociedade civil organizada ou representantes das várias partes envolvidas.

3             Afinal, trata-se de produtos e serviços cujos custos muitas vezes participam expressivamente dos orçamentos de empresas, famílias e indivíduos, fora que implicam em um pacto de direitos e deveres sem o que não haveria como sustentar os benefícios a que se propõem. A ponta desse iceberg de efeitos de um contrato solidário entre seguradores e consumidores é a grande judicialização de situações não completamente entendidas por aqueles que resolveram contratar as proteções dos seguros.

4             Como prevalece atualmente no jargão popular, essa situação de mais defesa do que ataque é a parte mais vazia do copo. A parte mais cheia é representada pela enorme contribuição que vem sendo acumulada pelo setor de seguros – de patrimônios, pessoais e de saúde – e que deve ser relembrada. Porque está presente na experiência do dia-a-dia de empresários, de cidadãos e do governo, que igualmente também usufrui dos seguros privados, porque, sem eles, teria que arrecadar mais impostos do que já faz para atender a população brasileira.

5             Então, em face de todo esse esforço do setor de seguros para mostrar a que veio, agora junto-me a ele com algumas informações que julgo relevantes para reforçar o copo mais cheio.

6             Em artigo recente, busquei esclarecer que, em termos reais, isto é, descontada a inflação, pelo menos de 1996 a 2023 os seguros cresceram quase 5 vezes. Uma taxa real média de 6,7% ao ano. Não é pouco, não. Como indenizações e benefícios crescem de modo equivalente às receitas, esse salto real beneficiou todos os consumidores de seguros.

7             Está bem, diriam os mais questionadores, mas o que isso quer dizer em termos práticos positivos para mim e para toda a Nação brasileira? Buscarei adiantar algumas conquistas, não todas, admito.

8             Em primeiro lugar, o crescimento da proteção dos seguros foi diversificado. Antes, reinavam majoritariamente os seguros de automóveis. Hoje, além da forte preferência pelos seguros de vida, outros seguros de “patrimônios”, além dos de automóveis, vieram progredindo, como os seguros para residências e os de garantias de obras. E muitos mais outros.

9             Em segundo lugar, todo esse crescimento foi acompanhado da acumulação do dinheiro que forma as garantias dos riscos que as seguradoras se comprometem a assumir. São as “reservas” guardadas , constituídas e fiscalizadas pelo governo. Uma montanha de dinheiro que chega hoje ao equivalente a quase 30% da dívida do Estado brasileiro com os seus credores. Isso é mais segurança para os consumidores. E financiamento para toda a sorte de projetos fora dos seguros.

10          Em terceiro lugar, há uma cada vez mais intensa concorrência e especialização para tomar riscos entre as seguradoras – maior do que em outros importantes setores de atividades – em benefício dos consumidores, porque cada ofertante de produtos e serviços tem que mostrar que é o melhor em cada um campo do seu quadrado para merecer a confiança dos primeiros.

11          Em quarto lugar, existe uma multiplicação de empregos e oportunidades para muitos segmentos “adjacentes” ao núcleo principal dos seguros, que formam uma longa cadeia produtiva de fornecedores e especialistas que lhes dá suporte. Advogados, atuários, tecnólogos e assim por diante.

12          Em quinto lugar, evidências concretas já comprovam o extraordinário avanço de inovações, educação formal, educação profissional, reciclagens e outros programas de capacitação da indústria de seguros, talvez mais até, em termos comparativos atuais, do que o que o sempre bem-avaliado sistema financeiro nacional vem alcançando.

13          Em sexto lugar, e que fica meio escondido da avaliação dos que compram os seguros, é o estágio da “governança” das empresas que oferecem os produtos e serviços. A tal história de que não basta mostrar ser honesto; é preciso ser honesto mesmo. As empresas seguradoras há bastante tempo já estruturaram sistemas de decisão internos que cumprem o seu papel máximo de deixar a atividade transparente para que elas mesmas – as empresas – não corram os riscos de problemas que possam afetar a sua sobrevivência.

14          Em sétimo lugar, a inovação alcançada e em progresso não se limita a inovações de seus produtos, mas, principalmente, de todo o tipo de processos que atendem à parte interna das seguradoras e da interação com os adquirentes, para permitir mais facilidades, desde a contratação até o pagamento de indenizações. Também reduzindo custos que acabariam tendo que ser suportados pelos beneficiários.

15          Em oitavo lugar, como a concorrência setorial precisa ser acompanhada das sinergias que aproximem todos naquilo que não os exima de sua particular missão e resposta aos acionistas, há uma pletora (muitas coisas) de encontros, seminários, simpósios, congressos, reunindo toda aquela extensa cadeia produtiva dos seguros que aludimos acima. Essa troca de experiências e disseminação de estudos abertos a todos é um patrimônio importante a ser veiculado para a sociedade em geral.

16          Em nono lugar, as fraudes tão em voga no setor já vêm sendo equacionadas e combatidas há muito tempo. Fora os evidentes abusadores dos seguros, as fraudes não estão sendo atribuídas (nem isso poderia acontecer!) aos cidadãos. A tecnologia atualmente embarcada na indústria de seguros (inclusos os planos e seguro de saúde) já endereça foco certo a todos os tipos de fornecedores. E os seguros estão sendo um paradigma para todas as demais indústrias.

17          Esses nove pontos acima alinhados evidentemente não esgotam o que vai pelo copo mais cheio das conquistas da indústria de seguros e que merecem atenção para a sua tão desejada e sustentada agenda positiva. Mesmo não sendo extensivos, são uma pista para que a veiculação, ou “comunicação”, de uma agenda deva ser mais proativa do que defensiva.