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Opinião

Saúde suplementar não pode continuar à deriva

03 de maio 2024 Cláudio Considera

Os cancelamentos dos planos coletivos – provocados principalmente pela alta sinistralidade, ou seja, custo da assistência médica – e os reajustes de dois dígitos pelo terceiro ano consecutivo, como previsto por analistas de mercado, estão a exigir, com urgência, uma revisão das normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para essas situações. Caso contrário, consumidores idosos e com doenças crônicas ficarão sem plano nem tratamento.

Obviamente, alta sinistralidade pode, em casos extremos, quebrar as operadoras de planos de saúde. Está ocorrendo perigosa concentração no mercado de saúde, em redes de laboratórios de análises clínicas, em hospitais e farmácias. Ora, concentração cheira a monopólio ou oligopólio, e isso implica, sem dúvida, preços cada vez mais elevados.

O equilíbrio de todos os vetores da saúde suplementar é bem difícil. Talvez fosse o caso de incluir, além das operadoras e seguradoras que atuam com planos de saúde, hospitais e outros prestadores de serviços na saúde suplementar, sujeitando-os à regulação pela ANS. Dessa forma, todos estariam vinculados a normas iguais para reajustes, exclusão de contratos etc.

Como disse José Seripieri Filho, em junho do ano passado, antes de comprar a Amil, “não adianta regular só a operadora”. Segundo sua avaliação, ou se regulariam todos os entes dessa cadeia econômica, incluindo prestadores médicos e indústria farmacêutica, ou somente as operadoras seriam sobrecarregadas e não suportariam. Essa análise parece bem direta e objetiva.

Caso o cenário regulatório continue como está até agora, as operadoras seriam pressionadas pelos custos, e continuarão a jogar os preços na lua e a cancelar os contratos de quem custa mais caro, geralmente idosos e muito idosos.

Referência: Estadão