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Opinião

Maio Amarelo

20 de maio 2024 Antonio Penteado Mendonça

Os acidentes de trânsito são responsáveis pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo. Grande produto de massa do século 20, os veículos se impuseram e se tornaram o objeto de consumo da sociedade. A partir daí, as cidades passaram a ser planejadas para eles, as rodovias redesenharam os mapas e a indústria automobilística se tornou o carro-chefe da economia e a grande contratadora de mão de obra, gerando milhões de empregos diretos e indiretos e impostos de todas as naturezas, que até hoje pagam as contas dos governos.

Com as mudanças climáticas e a necessidade de mudar as matrizes energéticas, era de se esperar uma queda na importância dos automóveis no mix econômico e na atenção da sociedade. Todavia, não é isso que se vê. Ao contrário, notícias, análises e discussões sobre os carros elétricos ocupam enorme espaço na mídia e fazem do assunto um gancho importante para vender notícias sobre o futuro da humanidade.

A contrapartida que ninguém gosta de colocar em destaque, mas que está aí desde a primeira metade do século passado, cobrando um preço absurdamente alto das sociedades e dos respectivos governos, são os acidentes de trânsito de todos as naturezas e tamanhos, que atingem diretamente milhões de famílias e custam uma fortuna para a previdência social de todos os países.

Por conta desse número, desde meados dos anos 1960, os países começaram a criar seguros obrigatórios para minimizar os custos dos acidentes de trânsito. De outro lado, a segurança dos veículos passou a receber cuidados especiais e as regras de trânsito passaram a ser mais rigorosas, no sentido de proteger motoristas, passageiros e pedestres.

Mas, quando parecia que o quadro poderia se equilibrar, a entrada em cena das motocicletas como veículos de massa voltou a aumentar o número de acidentes e de vítimas, sendo que, por conta das tipicidades do veículo, as mortes cresceram exponencialmente. E o quadro se agravou de novo com a entrada em cena dos celulares como objetos indispensáveis para a vida moderna.

Este quadro tragicamente desafiador precisa ser enfrentado com todas as ferramentas à disposição da sociedade para reduzir o alto número de vítimas dos acidentes de trânsito.

Entre as medidas com grande visibilidade merece destaque especial a escolha do mês de maio como o mês para a consciência no trânsito. Assim, nasceu o Maio Amarelo, com o objetivo de fazer as pessoas pensarem sobre a realidade das ruas e das estradas e suas consequências para a sociedade.

O Brasil tem perto de 400 mil vítimas de acidentes de trânsito todos os anos. Ao redor de 40 mil morrem e as outras adquirem algum grau de invalidez. É um número alto, que custa muito caro e atinge principalmente as pessoas mais pobres.

Importante lembrar que acabaram de votar o novo seguro obrigatório para acidentes de trânsito. Durante décadas, a sociedade brasileira teve a proteção de um seguro dessa natureza, mas ele foi desmontado. Agora, um novo seguro deve entrar em cena. Como a sua eficiência é bastante discutível, a melhor coisa que os brasileiros podem fazer é reduzir o número de acidentes.

A indenização seria de R$ 15.000 por residência e de R$ 5.000 a cada óbito. A proposta foi desenhada diante de uma série de eventos climáticos extremos, como as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul ano passado, muito menores que as deste ano.

Referência: Estado de São Paulo