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Coluna do Coriolano

O que os hospitais privados acham sobre os atuais problemas da saúde suplementar?

18 de junho 2024 Marcio Serôa de Araujo Coriolano

Temos assistido a alguns webinar recentes sobre a saúde suplementar. Os hospitais parecem preocupados, argumentando atrasos de pagamentos de faturas, apertos em preços de materiais e medicamentos e maior rigor na liberação de procedimentos hospitalares.

Por outro lado, estão recorrendo a consultorias que avaliam positivamente os últimos números das operadoras, divulgados pela ANS para até março de 2024.

E indagam aos consultores: – Com essa recuperação, as operadoras reduzirão a pressão sobre hospitais?

Parece que não. Porque as operadoras já aprenderam que não haveria como confiar no inverso; isto é, que os hospitais e laboratórios iriam baixar a pressão altista de custos.

Pelo menos, houve uma trégua no anúncio do fim-do-mundo da saúde privada. Especialmente após o webinar da ANS mostrando os bons números recentes.

Alguns consultores permanecem insistindo no argumento, com tintas muito fortes, de que o atual modelo não permitiria expansão do setor de saúde. Acho que isso as operadoras sabem. E nada podem fazer, exceto tocar a vida dentro do que aprenderam. E torcer e buscar convencer formadores de opinião de que a regulação do governo não piore.

De novo, as operadoras de saúde aprenderam a lidar com a pressão altista de custos de fornecedores. E devem assim continuar. E precisam de mais resultados positivos até uma estabilização que se sustente no tempo.

Parece que a bolsa de valores vem refletindo tudo isso. Claro que as expectativas do País alcançam particular e diretamente a saúde privada. Todas as ações das companhias de saúde abertas (operadoras, hospitais, drogarias etc.) estão caindo nestas semanas de junho de 2024. Mesmo DASA. Exceto Rede D`Or. Neste último caso, talvez porque o seu valor já tivesse caído muito em um ano (muito mais do que qualquer outro papel da saúde, exceto DASA). E porque analistas acham que ela poderia ganhar nos dois lados – operadora e hospital.

No caso de DASA, pareceria um contrassenso o valor de sua ação estar caindo, pela notícia alvissareira de parceria com Amil, mas é aquela que em um mês tem tido menor perda. Ou seja, independente da boa notícia do negócio, o mercado ainda está buscando o preço que acham correto. E pode haver também haver alguma incerteza de como a nova composição de acionistas irá recuperar ambos os lados em prazo útil. Eles, os investidores, não esqueceriam o passado recente de ambas as companhias.

Há mais algo. Fora o balanço financeiro, as perdas patrimoniais (valor das ações) impactariam os balanços das companhias e demandariam providências para sanar os seus efeitos.

No caso de Rede D`Or tem havido recompra do que o mercado vende na baixa, reduzindo dívidas que também figuram nos balanços. No caso de DASA, bem, o acordo fala por si mesmo.

Finalizando, como temos dito, nada atualmente denota uma crise na saúde privada. Mais acomodações virão pela frente. Melhor que um diálogo e pactuação amplas prevaleçam em benefício da expansão do acolhimento de mais beneficiários.