Coluna do Coriolano
Desempenho do Mercado de Seguros, Previdência Privada e Capitalização – janeiro de 2026
31 de março 2026 Marcio Serôa de Araujo Coriolano
Como examinado anteriormente em cada segmento que compõe o mercado de seguros, depreende-se que ele é afetado pelo comportamento daqueles que mais contribuem relativamente para o agregado das receitas.
Exemplo máximo é o VGBL, que tinha participação relativa de perto de 43% do total em julho de 2024, e de 27% em dezembro de 2025, para agora em janeiro voltar aos holofotes com posição líder de 39,7%. E, inversamente, é o exemplo da perda momentânea de dinamismo dos chamados Ramos Elementares que em termos absolutos perdeu a sua liderança para o primeiro.
Então, sabe-se que qualquer iniciativa regulatória dos poderes públicos ou movimentos conjunturais da demanda, que aumente ou diminua a penetração de cada um dos segmentos, tem decisiva influência no comportamento e das expectativas do setor de seguros como um todo.
Sinteticamente, a conclusão geral sobre o desempenho do mercado integral de seguros, previdência privada e capitalização brasileiro é que a variação anualizada da arrecadação, que reputamos ser a melhor medida estatística tendencial, permanece no campo negativo, agora com menos 4,9% ante menos 4,8% em dezembro de 2025.
A queda das taxas em 12 meses móveis foi consistente ao longo do ano, chegando a níveis negativos desde setembro. Apenas para comparação, na base do fechamento de 2024 a variação havia sido positiva da ordem de 12,3%.
Já quando seguimos a opção analítica agora adotada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e examinamos o desempenho segregado do chamado mercado segurador “estrito senso”; vale dizer sem o VGBL, sem os planos de previdência privada aberta e com Capitalização, de forma a retirar os seus recentes efeitos trazidos pela nova tributação do IOF, temos o seguinte resultado:
I) No mês de janeiro, a arrecadação desse segmento exclusivo foi de R$ 20,7 bilhões, representando 57,1% do mercado total incluindo os planos de acumulação (havia sido de 60,8% em dezembro de 2025). Essa participação menor decorreu do melhor desempenho do VGBL.
II) Em decorrência, no critério da evolução em 12 meses móveis, que é a melhor medida de tendência estatística, houve decréscimo, passando da taxa de 7,6% no fechamento do exercício de 2025 para 6,7%.
Ainda estamos avaliando estatísticas muito iniciais de 2026. Estimamos que a recuperação da capacidade de atendimento do mercado de seguros dependerá, de maneira importante, do cenário econômico nacional e das ações regulatórias da Susep, de forma a dar cumprimento célere ao seu planejamento para 2026. Inclusive o destravamento do chamado seguro de vida universal e a flexibilização da oferta de produtos mais aderentes à atual capacidade de pagamento de amplos estratos da população.
É com base nas particularidades de cada segmento do mercado que a Capitolio pretende aumentar a granularidade de cada componente de forma a que possa contribuir mais para análises e projeções acuradas do desempenho dos seguros.