Coluna do Coriolano
Desempenho do Mercado de Seguros, Previdência Privada e Capitalização – março de 2026
19 de maio 2026 Marcio Serôa de Araujo Coriolano
Como sempre examinado em cada segmento que compõe o mercado de seguros, depreende-se que ele é afetado pelo comportamento daqueles que mais contribuem relativamente para o agregado das receitas.
Exemplo máximo é o VGBL, que tinha participação relativa de perto de 43% do total em julho de 2024, de 27% em dezembro de 2025 e de 39,7% em janeiro de 2026, para agora em março voltar à posição perto de 33,8%.
Então, sabe-se que qualquer iniciativa regulatória dos poderes públicos ou movimentos conjunturais da demanda, que aumentem ou diminuam a penetração de cada um dos segmentos, tem decisiva influência no comportamento e nas expectativas do setor de seguros como um todo.
Sinteticamente, a conclusão geral sobre o desempenho do mercado amplo de seguros, previdência privada e capitalização brasileiro é que, até março, a variação anualizada da arrecadação, que reputamos ser a melhor medida estatística tendencial, permanece no campo negativo (menos 5,4%), embora o melhor desempenho no mês de março tenha contribuído para reduzir a queda.
A redução das taxas em 12 meses móveis foi consistente ao longo de 2025 e continua em 2026, tendo chegado a níveis negativos desde setembro do ano passado. Apenas para comparação, na base do fechamento de 2024 a variação havia sido positiva da ordem de 12,3%.
Já quando seguimos a opção analítica adotada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e examinamos o desempenho segregado do chamado mercado segurador “estrito senso”; vale dizer sem o VGBL, sem os planos de previdência privada aberta e com Capitalização, de forma a retirar os efeitos trazidos pela nova tributação do IOF, temos um resultado de crescimento ainda não consolidado. Apesar de que o mês de março tenha trazido fôlego sobre cuja persistência não é possível especular.
Necessário relativizar que ainda estamos com estatísticas de apenas um trimestre de 2026. Estimamos que a recuperação da capacidade de atendimento do mercado de seguros dependerá, de maneira importante, do cenário econômico nacional que recentemente apresenta recrudescimento das taxas de inflação e, consequentemente, expectativa de pouca manobra das atuais taxas de juros. Dependerá também das ações regulatórias da Susep, de forma a dar execução célere do seu planejamento para 2026. Inclusive o destravamento do chamado seguro de vida universal e a flexibilização da oferta de produtos mais aderentes à atual capacidade de pagamento de amplos estratos da população.
Sobre outros indicadores de desempenho do mercado, vale ressaltar que a sinistralidade continua em patamar adequado, em todos os ramos (sinistralidade geral de 59,1%) e as provisões técnicas superaram, em março, os R$ 2 trilhões. Além da garantia da solvência do mercado que essas reservas representam, elas também contribuem para o resultado consolidado do setor, mercê do nível da taxa de juros que as remuneram.