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Coluna do Coriolano

Quantas vezes já anunciaram que o dia do juízo final da saúde suplementar estaria próximo?

13 de julho 2026 Marcio Serôa de Araujo Coriolano

 

Do que se trata?

Mesmo antes da Inteligência Artificial (IA), a maior conquista recente da humanidade foram as redes sociais. Sejam as abertas, sejam as de grupos limitados.

E como escreveram mais de um filósofo, historiador e antropólogo, “a democracia é difícil …”. Embora ainda seja o melhor regime que possamos ter. Difícil, porque pelas redes sociais multiplicaram-se opiniões, avaliações e análises de todos os matizes. E previsões de todas as naturezas. Nem sempre qualificadas. Algumas delas bem pessimistas, sobre o futuro da humanidade.

Como um bem precioso, a saúde não escapa dessas previsões. Particularmente a saúde privada. Assim como no mundo inteiro, ela lida, no Brasil, com as expectativas mais profundas e genuínas da sociedade e com ideologias, conhecimentos e interesses diversos, dependendo do ponto de vista de cada um que a avalia. Faz parte da democracia.

Já avançados na experiência, perdemos a conta das previsões sobre o suposto horroroso fim próximo do atual modelo regulatório e de gestão do que se alcunhou chamar de gestão do cuidado pelas operadoras de saúde suplementar, as OPS.

É óbvio que ninguém, mormente o consumidor-paciente que paga caro pela assistência privada, poderia estar satisfeito com a atual situação. Mas isso é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.

Uma coisa é o reconhecimento de que o modelo ancião da seminal Lei nº 9.656/1998 precisa ser revisto para atender às também várias reconhecidas críticas e contribuições sobre o seu congelamento no tempo.

A outra coisa é a falta de reconhecimento do muito que já foi conquistado para a gestão do cuidado e que ainda está em pleno curso. Aliás, enquanto as previsões mais catastrofistas insistem em não ser realizadas, são essas conquistas as que realmente interessam.

As cautelas com otimismos e pessimismos: os extremos

Aqui, há um desafio sobre os extremos. Sempre repletos de supostas evidências para cada um deles.

Temos dúvidas sobre elas, até sobre nossas provisórias convicções, nós mesmos que recentemente postamos aqui um artigo sobre a tal insuficiência da centralidade das OPS como salvadora de um modelo virtuoso do cuidado médico.

Insistiremos nisso. Não haveria salvação quando há a pretensão de que apenas um dos elos – agentes, atores, a nomenclatura que tenham – da extensa cadeia produtiva da saúde, possa tomar para si tamanha responsabilidade.

Mas, como adiantamos, os extremos também insistem em permanecer. São mais confortáveis, porque apontam sempre para apenas um dos lados. Vamos ser práticos nesse ponto. Porque os extremos incluem coisas tão polêmicas quanto as “glosas” e a aposta em “novos entrantes”, que estariam a assombrar os incumbentes e, principalmente, os beneficiários-pacientes. Que apostamos sequer conseguem acompanhar o enorme fluxo de notícias do que, ao fim e ao cabo, mais lhes interessam.

As glosas, novos entrantes e outras opiniões disruptivas

Sobre glosas, os dicionários têm inúmeras definições. Curiosamente, entre elas figuram mais a “censura, supressão”. Nada sobre conceitos de conformidades, interação insuficiente. Previsível, já que é uma jabuticaba plantada desde sempre, acompanhando as agruras da ausência de pactuação no setor, com tantos gigantes participando, de todos os lados: – operadores, prestadores, governo.

Estimamos que as inúmeras qualificações de glosas mereçam mais esclarecimentos do que a definição dos dicionários, o que evidentemente não caberia aqui.

Sobre novos entrantes, confessamos dificuldade para entender como – já disseram isso sob outro mesmo contexto – o rabo aparente de um sistema complexo como o suplementar – baseado em um pressuposto inafastável da escala, do tamanho para diluição de riscos – possa ser tão disruptivo a ponto de mexer o ponteiro do atual estado de coisas. Fora convicções muito arraigadas, pelo menos isso.

Retornando a um otimismo: o mais útil para quem interessa

À guisa de conclusão, que sabemos ainda estar distante, e voltando ao início, estimamos melhor abrir sempre a caixa ainda preta da natureza dos maus-humores de plantão e buscar a pactuação possível.

Difícil, embora necessária, pactuação para fazer avançar mais os avanços já obtidos – estamos propositalmente nos repetindo – para além do dedo que aponta culpados na extensa e complexa cadeia de valor da saúde privada.

Temos do que nos orgulhar. Mesmo que ainda envergonhados do mais que precisamos fazer para a tão almejada centralidade no consumidor-beneficiário-paciente.