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Calma “Calabreso”

19 de abril 2024 Roberto Parenzi

A grande maioria das manchetes dos jornais brasileiros estampou no dia de hoje que os planos de saúde tiveram um Lucro Líquido de R$ 3 bilhões de reais.

Para aquele público mais incauto dá a impressão de que os Planos de Saúde estão nadando num mar bem calmo.

Mas, calma aí “calabreso”, não é bem assim.

Ontem a ANS realizou um Webinar onde demonstrou os números que fecharam o ano de 2023.

O Resultado líquido é este sim, porém, advém exclusivamente do Resultado Financeiro, ou seja, da aplicação das arrecadações das contraprestações pagas pelos usuários.

Contudo, se falarmos do resultado da operação, ou seja, o que se recebe pela operação e o que se tem de despesas com a operação (principalmente as despesas assistenciais), encontramos um belo prejuízo. Em 2022 este número foi de R$ 10,7 bilhões negativos e em 2023 R$ 5,9 bilhões. Houve uma boa melhora, mas ainda é uma operação bastante deficitária.

Estamos diante de uma situação altamente dependente do resultado das aplicações. Como neste nosso país tudo pode acontecer, imagine uma queda grande nas taxas pagas pelas aplicações. O sistema quebra? Existe uma chance.

Algumas coisas não mudaram em nada. Uma delas é fundamental para os resultados. É a taxa de sinistralidade. Seu resultado médio ao final de 2023 representou 87%. Isto significa que das contraprestações/prêmios pagos pelos segurados, o sistema consome 87% com as despesas assistenciais destes. Sobram, portanto, 13% para as despesas comerciais, administrativas, impostos e outras não operacionais. Não tem como dar resultado.

Outro ponto; a margem de lucro líquido (já com o financeiro incluído) foi de 0,9%. É um retorno baixíssimo para um negócio que exige alto grau de responsabilidade, lida com vidas e está em constante evolução tecnológica. Está valendo a pena para o empresário que poderia ter um capital aplicado, sem responsabilidades, com este mesmo rendimento.

Em minha opinião, ainda falta muito para se falar de sustentabilidade para o setor, e a comemoração estampada nas manchetes, ainda guarda ressalvas para que os leitores pensem que o sistema passou de um mar turbulento para um mar de rosas. O mar pode ser traiçoeiro, principalmente para aqueles que desconhecem seus perigos.