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Maio amarelo

10 de maio 2021 | Antonio Penteado Mendonça

O Brasil é um dos campeões mundiais de mortes no trânsito. De acordo com números de 2019, aconteceram naquele ano 32 mil mortes nas ruas e estradas do País. Apesar de bastante elevado, é um dado positivo, porque representa uma redução na comparação com o ano anterior. De outro lado, há quem diga que, de verdade, o número se aproxima dos 40 mil mortos por ano. Seja como for, ou um ou outro, não nos coloca numa posição invejável em comparação com os países mais desenvolvidos.

Na base estão diversos fatores que agravam o quadro e que fazem parte da rotina brasileira. Entre eles merecem destaque a falta de habilitação, a falta de prática, a ingestão de bebidas alcoólicas, a manutenção deficiente dos veículos, o mau planejamento das vias, a falta de manutenção das vias, a falta de sinalização, a falta de policiamento e a corrupção nos diversos órgãos e setores ligados ao trânsito de veículos.

O trânsito brasileiro é conhecido pelo desrespeito às regras. Nossos motoristas dirigem como se o mundo fosse acabar amanhã ou precisassem salvar o pai da forca.

O que está escrito no Código de Trânsito vale muito pouco. Grande parte dos motoristas dirige a baixa velocidade na pista da esquerda, ultrapassa pela direita, estaciona em lugares proibidos, faz conversões no meio da rua, liga o pisca-alerta e para no meio da rua, nas portas dos colégios as filas duplas são a regra etc.

Dirigir embriagado ou depois de ingerir bebida alcoólica é normal e tem o incentivo da leniência das penas para quem causar dano corporal a terceiro em virtude de acidente ocorrido nessa situação. Boa parte das sentenças judiciais também não ajuda, já que determina que as seguradoras indenizem as vítimas de acidentes causados por motoristas embriagados, sem habilitação ou com a habilitação cassada.

Ponto dramático é a manutenção de milhares de veículos de todos os tipos. Simplesmente não acontece ou é feita de forma completamente deficiente, resultando em veículos com lâmpadas queimadas, faróis desregulados, sistemas de freios comprometidos, direção com folga, pneus carecas, suspensão comprometida, peças enferrujadas, etc. A lista é quase infindável.

E comum ver motoristas seguirem pela pista da esquerda para, sem aviso, entrarem à direita, inclusive interrompendo o fluxo de veículos que deseja seguir em frente. Conversões sem qualquer sinalização são a regra, da mesma forma que são comuns “fechadas” para ganhar cinco ou seis metros e parar no engarrafamento logo à frente.

E ainda temos o capítulo das motocicletas, grandes responsáveis pela maioria dos mortos em acidentes de trânsito ocorridos no Brasil. Motocicletas transportando quatro ou até cinco pessoas e um cachorro são normais nas ruas do Nordeste. Motociclistas trafegando entre as faixas pelas ruas de São Paulo são rotina. Motoqueiros seguindo pela contramão se tornaram comuns depois da pandemia.

Com o aumento do uso de bicicletas, ciclistas imprudentes ou irresponsáveis colocam a própria vida em risco cada vez com mais frequência, seja pedalando na contramão, nas pistas exclusivas para ônibus e nas faixas centrais de vias expressas.

Para alterar o quadro dramático do trânsito brasileiro, há oito anos acontece a campanha “Maio Amarelo”. Criado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, o movimento tem como objetivo despertar na sociedade uma maior conscientização da importância da adoção de boas práticas no trânsito, especialmente na condução de veículos.

Ao longo dos anos, o Brasil tem evoluído no tema e o número de mortos em 2019 é o mais baixo desde 2001. Mas ainda estamos longe do ideal e nos mantemos entre os quatro países do mundo com maior número de mortes causadas por acidentes de trânsito.

Por causa da pandemia, é de se esperar que 2020 tenha um número ainda menor de mortos. O isolamento social e as pessoas terem permanecido em casa impactaram positivamente na redução dos acidentes. Mas isto não é suficiente para baixarmos a guarda. Este “Maio Amarelo” precisa aumentar a conscientização dos motoristas.

Referência: Estado de São Paulo