Capitolio


Coluna do Coriolano

O cenário atual

08 de setembro 2025 Marcio Serôa de Araujo Coriolano

A divulgação dos dados econômico-financeiros das operadoras de saúde do 2º trimestre de 2025, reacendeu uma antiga polêmica que figura amplamente na mídia.

Isso porque houve significativa queda da sinistralidade (despesas contra receitas) desse trimestre contra o mesmo trimestre de 2024, de 83,8% para 81,1%, refletindo-se no resultado (lucro) do semestre.

A polêmica envolve, de um lado, principalmente os hospitais, que buscam mostrar que essa melhoria seria devida a glosas (cortes de despesas apresentadas nas suas contas apresentadas às operadoras) e outras práticas de protelação de autorizações de procedimentos médicos solicitados. Entidades de defesa dos consumidores se juntam a críticas, argumentando com iguais problemas de autorizações e descredenciamentos de hospitais, pelo menos.

Do outro lado da polêmica situam-se as operadoras de saúde, registrando que os resultados ainda são desequilibrados, após período de grandes prejuízos operacionais (sem o resultado financeiro), justificando as extensões de prazos pela necessidade de escrutínio das contas dos prestadores médicos, e, não menos importante, dando relevo para as fraudes cometidas contra elas e a crescente judicialização.

Há, portanto, muito ruído, na esteira de um relativo desconhecimento, inclusive das mídias gerais, sobre os fundamentos e histórico da formação de preços e resultados apresentados pela saúde suplementar.

Os Relatórios de Sinistralidade construídos pela Capitolio pretendem lançar mais luz técnica sobre essa polêmica. Buscando proporcionar subsídios importantes para todos os interessados.

Há, pelo menos, duas evidências para a reflexão dos críticos de todos os lados. A primeira é que a sinistralidade apresentada para esse 2º trimestre – de 81,1% – afasta-se muito do equilíbrio atuarial preconizado, de 75%. A segunda é que esse bom resultado ainda é 10 pontos percentuais superior à obtida antes da pandemia da Covid-19, de 71,7%.

De qualquer modo, como diz-se vulgarmente, “somente uma andorinha não faz um verão”. Seria então preciso ter-se mais cautela para comemorações ou julgamentos. Porque, a permanecerem as fricções entre os diversos participantes da longa cadeia de valor da saúde privada, cada um advogando os seus próprios atributos, mais tempo afastará o setor da obtenção de um ciclo virtuoso de sustentabilidade que aproveite a todos.